Chapada Diamantina (Ibicoara) – BA

INFORMAÇÕES DE: Abril de 2016.

ROTEIRO PARA: 2 dia.

TIPO DE VIAGEM: Ecoturismo na Chapada – Parte I.

HOSPEDAGEM: Fiquei em dois lugares na chapada, por ir em duas ocasiões diferentes.

Primeira Hospedagem: Hotel Raio de Sol – Bem localizado, simples e sem muito conforto e organização.

Segunda Hospedagem: Hostel Ibicoara – Uma casa bem simples e sem muito conforto que foi transformada em hostel, mas com café da manhã bem agradável (R$40,00/dia) – Tinha acabado de inaugurar, o dono era um carioca super simpático e o banho era quente. Era possível acampar no fundo da casa. Eu ficaria novamente lá de boa.

SOBRE IBICOARA.

Ibicoara é uma das cidades que fazem parte do entorno da Chapada Diamantina. Mesmo não sendo parte do parque estadual, aqui ficam algumas das mais procuradas cachoeiras de quem se aventura pela Chapada, a cachoeira do Buracão e da Fumaçinha. O nome da cidade uma palavra do vocábulo tupi que significa “buraco na terra”, “cova”, a partir da junção dos termos yby (“terra”) e kûara (“toca”).

Este pequeno município baiano com população de aproximadamente 17 Mil habitantes (IBGE 2006) é ponto de parada obrigatório para quem quer ver o melhor da região. 

Dia 01: Cachoeira do Buracão.

Minha primeira ida para Chapada foi em novembro de 2015, em um feriado. Como era longe e apareceu a oportunidade de ir em uma excursão partindo da minha cidade, Montes Claros, aproveitei que estava barato e fui, na verdade esta viagem serviu só para lembrar do por que detesto excursão (rs).

Esta viagem foi um pouco cansativo, pois era um micro-ônibus pequeno e sem ar, e nada ideal para uma viagem de 13 horas.

Cheguei em Ibicoara pela manhã, um pouco tarde, pois ocorreu atraso para sairmos de Montes Claros, e chegando lá fui me acomodar no Hotel Raio de Sol e me preparar para ir para a cachoeira do buracão.

No momento de sairmos os motoristas do micro ônibus não queriam colocar os veículos na estrada de terra e tivemos que aguardar negociarem um outro veículo para irmos, o que atrasou a saída ainda mais. Terminado o problema trocamos de ônibus e foi uma confusão, pois não tinham acordado que teríamos que ir de Ibicoara até a entrada do parque, que são 27 km em estrada de terra em pé e num ônibus todo precário, e nada disso era o combinado. Discussões do povo a parte, entramos todos e fomos, alguns em pé mais de uma hora “sacolejando” e com poeira na cara. Um pouco mais de uma hora depois e encardidos de terra chegamos na entrada do Parque Municipal (Hoje é bom lembrar disso … kkkkk, mas só hoje).

Sobre o Parque Natural Municipal de Espalhados.

Entrada no Parque: R$6,00 / pessoa – Guia (obrigatório): R$ 25,00 a R$ 35,00 por pessoa.

Este parque é a porta de entrada para conhecer a Cachoeira Buracão. O acesso é controlado e a estrada de terra está em condições medianas, tendo que passar até por dentro d´água (raso).

Quando chegamos temos que pagar uma pequena taxa (R$ 6,00) e formar grupos de até 8 pessoas por guia. A trilha para cachu tem  3,5 km, ou seja, 7 km ida e volta. A trilha em si é leve e bem sinalizada, só com um pequeno trecho íngreme, onde há uma escada de apoio para seguir caminho. Sem ela, seria necessário fazer uma escalada.

Pelo caminho, vamos percorrendo o rio, com belas paisagens, e algumas pausas para refrescar, como na cachoeira das orquídeas. Não conseguimos aproveitar muito a trilha e pulamos alguns atrativos, pois chegamos tarde no parque devido os atrasos.

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Foto: A caminhada fácil passa por belos cenários como Rio Manso, “Espalhado” – conjunto de pequenos poços formados pelo rio.

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Foto: Poços pelo caminho.

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Foto: Cachoeira das orquídeas.

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Foto: Pausa para a foto com a cachoeira das orquídeas! Se for com mais tempo é possível nadar.

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Foto: Flora Local.

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Foto: Cactus e mais cactus.

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Foto: Nesta parada cheguei a achar que era aqui e fiquei frustrado (rs), mas o melhor estava por vir…rs.

Então após muitas fotos pelo caminho chegamos no início do curso d’água para conhecer o buracão. Quando chegamos não consegue-se ver a cachoeira e então todos somos instruídos a colocar salva vidas (Obrigatório mesmo para o Gustavo Borges…rs) e a irmos nadando dentro do canyon. A sensação de ir nadando para chegar na cachoeira é incrível e deixa ela ainda mais especial.

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Foto: A melhor maneira de entrar na água gelada!

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Foto: Nesse ponto, há duas opções: colocar um colete salva-vidas e nadar (mais segura) ou atravessar uma pinguela em meio aos paredões, além de caminhar agarrado às pedras (deixe essa tarefa para o guia, que levará sua máquina fotográfica com segurança).

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Foto: Nadando no Canyon para chegar ao buracão.

Fui então nadando entre o canyon até chegar em um “Buraco” enorme, e ver a bela imagem desta cachoeira que foi uma das mais top que conheci. Quando chegamos no lugar e nos deparamos com esta paisagem incrível entendemos o por que do nome “Cachoeira do buracão”.

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Foto: Quem enfrenta os desafios é recompensando podendo nadar próximo à queda, de 85 metros, e até entrar atrás da cortina de água, dependendo do volume. 

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Foto: Quando vamos chegando próximos vemos isso!! De tirar o fôlego!

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Foto: Realizado! Queria poder sentir esta sensação de novo, uma das cachoeiras mais top da minha vida.

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Foto: Preparando para a volta, nadando claro!

É tão especial contemplar aquela paisagem, ouvir aquele barulho alto de força e sentir aquele cheiro de água e terra molhada, que me arrepio só de lembrar.

Ficamos aproximadamente 1 hora curtindo o lugar e nadando.

Antes de voltar há dois mirante, parei em um deles. Lá deitamos no chão e observamos a força da natureza, uma sensação única observar a força e altura da queda do alto

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Foto: Vista do Alto! Deitamos no chão para aproximar e vemos esta cena.

A volta para Ibicoara foi uma comédia, tivemos até que descer do ônibus para ele conseguir subir a estrada. Cheguei no hotel já a noitinha, sujo demais e doido por um banho.

Fui com o pessoal da excursão na praça da cidade, onde estava tendo roda de capoeira, comemos uma pizza ao som de arrocha em uma pizzaria ao redor da praça e então fomos dormir para encarar o segundo dia.

A noite da cidade em si não é atraente como outras cidades da Chapada.

Dia 02: Cachoeira da Fumacinha.

Minha segunda passagem por Ibicoara foi em abril de 2016. Agora querendo mais liberdade de roteiro fui de carro com amigos, e foram 11 horas de viagem partindo de Montes Claros, viajei a madrugada toda. Saíamos as 17h30min e chegamos as 4h30min da manhã. A  Estrada até que esta boa, ficando ruim só no após Porteirinha e próximo a Ibicoara. Chegando em Mucugê também há muito buraco grande.

Chegamos de madrugada e fomos para frente do Hostel Ibicoara, onde nossos amigos que foram de manhã estavam dormindo, e aguardamos lá até eles acordarem, pois as 6h00min estava marcado com o guia Márcio para fazermos a fumacinha.

Procurei um lugar para tomar café antes das 6h e não achei, mas conversando no hostel conseguimos pagar a parte e tomar lá mesmo, um café simples, mas bem feito e agradável.

A maior parte dos meus amigos neste dia foram para o buracão, e como eu já tinha Ido optei pela fumacinha e um dos amigos foi comigo.

Saímos de Ibicoara com o Guia as 6h00 como combinado, e são 30 km em estrada de terra (não muito boa), onde deixamos o carro e começamos a caminhada.

Encontrei o guia (Márcio) pela internet, no site da associação dos guias de Ibicoara e deu tudo certo. Reservamos o passeio com antecedência por whatssap e ele cumpriu o combinado e foi pontual. Não tivemos problemas.

Realmente precisa-se de um guia para ir conhecer a fumacinha, pois além de um longo trajeto, o mesmo é perigoso e há atalhos que só os guias sabem.

Ele havia nos dito que se tivesse chovendo, não daria para ir por que fica muito perigoso, e percebemos lá que é verdade, pois com as pedras úmidas o caminho que é quase que 80% na beira do rio fica como um sabão, as rochas ficam muito escorregadias, e como choveu de manhã naquele dia o desafio me custou uns 10 tombos nas pedras até chegar lá (e não foi só eu).

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Foto: Que comecem os 18 km!

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Foto: Belas paisagens o caminho todo.

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Foto: Algumas paradas para refrescarmos.

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Foto: Eu e meu parceiro Fernando!

A trilha para fumacinha é difícil e longa, sendo 18 km (Ida e Volta), para conhecê-la tem que estar bem fisicamente e mentalmente, pois é bem cansativo e difícil o trajeto, mas a paisagem é linda e tem vários pontos de parada bem interessante. Pelo caminho, além de subir e descer pedras, há trechos que subimos os barrancos que margeiam a mata, e outros que passamos pelos paredões que circulam o rio, quase escalando mesmo. Não é uma trilha para qualquer pessoa.

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Foto: Como disse a partes que vamos escalando as pedras! Foi bem tenso, mas top!

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Foto: Passamos por estas pedras, dá pra crer?

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Foto: Mais belas paisagens.

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Foto: É um sob e desce pedras sem fim, mas vale!!!

Fizemos a trilha em um bom ritmo, em um pouco mais de 3 horas, acompanhamos a velocidade do guia, que sempre prestava atenção para vermos se estávamos dando conta, ou era hora de parar.

Quando chegamos ainda temos que atravessar outro paredão natural, e cuidar para não cair na água para então estarmos de frente de uma das mais belas imagens da chapada, a cachoeira da fumacinha com 290 metros em 4 quedas.

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Foto: Estamos chegando, mas num pensa que esta fácil ainda não! O prêmio esta lá dentro.

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Foto: Quase lá.

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Foto: A hora de provar o equilíbrio é agora…rs.

Esta Cachu realmente é linda e como fica dentro de um canyon, sem luz do sol, a água é muito gelada e é frio lá dentro. Fiquei só admirando mesmo, e nem consegui entrar na água de tão gelada. Mas estava satisfeito, ver aquilo vale cada gota de suor.

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Foto: Que Imagem!!!

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Foto: Acha que eu não ia subir nesta Pedra? Não é não!!! Mais a gente faz tudo pela foto perfeita. Confesso que quando me vi lá em cima as pernas bambearam de pensar como descer? E não foi fácil..rs! Se subir, muuuuito cuidado, pois resgate aqui é f***.

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Foto: Olha eu ali…rs.

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Foto: A foto perfeita! Valeu o perigo…rs.

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Foto: Visão de outro ângulo.

Descansamos da caminhada, comemos nosso lanche e então voltamos. Como a volta foi depois de meio dia foi bem mais tranquila, pois as pedras haviam secado e além de ser mais rápida não houve tombos de ninguém.

Chegamos no local que deixamos o carro e bebemos uma garapa feita na hora. Você será convidado para tomar a garapa na volta e parece que será feita sem higiene, mas não é. O que me impressionou foi o cuidado do Sr, que limpou o aparelho, lavou as mãos, passou álcool, descascou com faca limpa. E ficou uma delícia. Recomendo!!

Voltando a cidade eu estava tão cansado, pois havia feito esta trilha pesada depois de viajar uma madrugada inteira sem dormir, que cheguei tomei um banho bem bom e desmaiei até no outro dia.

A viagem continua…

Próximo Relato: Lençóis.

NÃO POSSO DEIXAR DE …

PROVAR:

1- Palma (Planta tipo um cacto e muito apreciada na região).

2- A garapa na volta da Fumacinha.

NOTAS:

1-  A trilha da fumacinha custa em torno de R$ 180,00 – R$ 200,00 reais (para até 7 pessoas).

2- Distância de Ibicoara as principais cidades da Chapada: 93 km de Mucugê e 225 km de lençóis.

3- Não há taxa para visitar a fumacinha.

4- A estrada para chegar a fumacinha não é muito boa e não há placas de sinalização. Penso ser bem difícil chegar até lá sem guia.

5- A fumacinha deve ser muito difícil fazer sem guia, pois não há trilhas e sinalização nenhuma e o caminho entre as pedras e alguns atalhos só mesmo o guia para saber.

Pode te ajudar:

1- Guia Márcio: Cara bacana, para contato: Click aqui.

  1. Gabriela says:

    Que paisagens mais lindas! E pela sua cara de felicidade nas fotos, a energia deve ser incrível também. Morrendo de vontade de conhecer. 🙂

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