Paris, à bientôt: a primeira vez, a gente nunca esquece

Este artigo é para todos aqueles que amam a cidade Luz, e também para aqueles, que mesmo ainda não conhecendo, já sonham com este dia na certeza de que se apaixonarão.

Ariana Alves Magalhães, uma das escritoras do blog visceralistas, descreveu em forma de crônica sua primeira experiência na capital francesa de uma forma tão sensível, que fará você se transportar a Paris para ser coadjuvante do seu sonho.

 Borá lá…

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Por Ariana Alves Magalhães

Quem já realizou algum sonho, sonhado com muito afinco, vai entender esse texto, que, pensando bem, não é um texto que possa ser meramente lido, é um texto para ser experienciado. Por isso vou descrever uma situação e preciso da concentração do leitor para compartilhar comigo o que vivi nessa viagem.

Primeiro espero que esteja vestido de forma confortável. Imagine que está num lugar aconchegante, sentado numa cadeira com forro de linho listrado, olhando para frente, flores frescas e coloridas compondo livremente o ambiente. Também preciso que tenha uma caneca com algo gostoso ao seu lado. Prefiro chá de limão, mas pode ser um café.

O cheiro no ar é bem agradável, leve, um pouco doce. Há música, Zaz – Je veux. Se puder colocá-la enquanto lê o texto, entrará mais na história. O volume sempre baixo, ou em fones – aí o volume pode ser alto. Ao lado sempre haverá uma companhia, de um amante ou de um cachorro ou de um livro ou de alguns amigos.

 Pra você ligar o som: 

Você está na platéia de um café parisiense. Passa à frente uma moto vespa preta com um piloto sério. Uma senhora com cabelos brancos brilhantes e um grande lenço vermelho no pescoço caminha no passeio com muita classe. Um turista chinês, aliás dez turistas chineses sorriem, meio histéricos, e tiram foto da placa do estacionamento, acelerando o passo para o próximo clic.

Uma jovem, usando um vestido de “lurex” preto e azul, com meia calça de renda, uma charmosa boina e uma bolsa grande transpassada, atravessa a rua. Está claro, 8PM. Desfilam um muçulmano e uma indiana. A mãe que, para não perder o filho, o mantém refém em um carrinho de bebê, mesmo que seu tamanho não mais comporte esse mimo. Um padre de batina longa.

Pedestres, andantes, você os observa. Você vê um grupo, turistas claro, mas não são orientais. Vestem-se com roupa mais colorida, descombinada; têm sacolas de loja de perfume e souvenir nas mãos. Alguém fixa o olhar em você. São olhos curiosos, ávidos. São olhos de fome. Não fome de comida. Fome de outra coisa que lhe deixa em dúvida.

Os olhos estão caminhando, olham para o outro lado da pista. Um carro de polícia passa perto. Volta os olhos para cima, a rua tem mesmo prédios muito bonitos e antigos. Olha para onde alcança a vista na rua em perspectiva, essa paisagem também lhe surpreende sempre.

O olhar ansioso não está mais em você. Fica o desejo de saber o que ficou de você naqueles olhos. De repente não pensa mais nisso, apenas ouve a música, sente o odor agradável, sorve o líquido e começa a brincar também de olhar. O Sena, a Torre, a Ponte. Tudo está ali como deveria estar.

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Ariana Alves Magalhães foi uma única vez a Paris, chorou na Catedral de Notre-Dame, a conhecia em detalhes desde os 15 anos, após ler Victor Hugo. Escreve no Coletivo Visceralistas.

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Dê uma olhada no blog – Coletivo Visceralistas

 

 

 

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